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SBT depois de Silvio Santos: uma emissora pode herdar o carisma de seu fundador?

A sucessão do SBT é um laboratório raro: como transformar uma empresa-personagem em instituição sem destruir aquilo que a tornou especial.

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Silvio Santos não era apenas o dono do SBT. Era sua interface humana. Durante décadas, a emissora parecia uma extensão de seus gostos, suas apostas, sua aversão a certas formalidades e sua extraordinária capacidade de conversar com o público popular.

Quando morreu, em agosto de 2024, deixou um problema típico de empresas familiares em escala incomum: como preservar uma cultura que estava personificada no fundador?

A resposta inicial do SBT foi distribuir o legado. Daniela Beyruti assumiu a presidência e, em 2025, liderou um reposicionamento que falou explicitamente em “voltar à essência”, recuperando formatos infantis e marcas históricas. Patricia Abravanel consolidou-se no *Programa Silvio Santos*. Outras integrantes da família mantêm funções e presenças diferentes.

Carisma não entra no inventário

Equipamentos, marcas, imóveis e participações societárias podem ser herdados. Carisma não. A pior estratégia seria fingir que Silvio Santos pode ser reproduzido por protocolo.

O ativo real a preservar é outro: a compreensão do público. O SBT sempre funcionou quando parecia saber com quem estava falando. Sua estética, seus programas e até seus excessos tinham coerência com uma ideia de televisão popular, familiar e participativa.

Memória sem museu

A nova gestão enfrenta um dilema. Se abandonar o passado, perde diferenciação. Se viver apenas dele, transforma a emissora em museu.

O retorno de formatos históricos pode funcionar quando memória é matéria-prima, não produto final. O desafio é combinar códigos afetivos do SBT com hábitos contemporâneos: streaming, redes, jornalismo digital, distribuição multiplataforma e novos públicos.

A criação do SBT News e o discurso da gestão sobre eficiência e tecnologia indicam que a família sabe que nostalgia, sozinha, não paga o futuro.

Uma emissora não herda o carisma de seu fundador. Pode, no entanto, herdar algo mais útil: **a cultura que ensinou aquele fundador a ser reconhecível**. Se o SBT conseguir transformar essa cultura em método, Silvio Santos continuará presente sem precisar ser imitado.

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Fontes consultadas - [Agência Brasil — morte e trajetória de Silvio Santos (2024)](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-08/silvio-santos-morre-em-sao-paulo-aos-93-anos) - [SBT News — reposicionamento e nova grade do SBT (2025)](https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/sbt-anuncia-nova-grade-resgata-e-atualiza-sua-essencia-como-a-tv-mais-querida-do-brasil) - [SBT News — Daniela Beyruti e a continuidade do legado (2026)](https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/daniela-beyruti-vence-premio-personalidade-da-comunicacao)